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segunda-feira, 31 de maio de 2010
O Fantasma na Máquina
sexta-feira, 21 de maio de 2010
Homo Sapiens 1900 - Peter Cohen
(...)“O homem criou uma civilização que o isola da natureza e o deixa em um conflito entre o progresso e a saudade do passado. A civilização é guiada pelo conceito do eterno progresso que pode sempre abrir novas portas.”
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Hamlet - Shakespeare
Hamlet - Shakespeare
terça-feira, 6 de abril de 2010
Os Prisioneiros
Os prisioneiros – Uma manhã, os prisioneiros entraram no pátio onde trabalhavam; o guardião estava ausente. Alguns se puseram imediatamente a trabalhar, como era do seu feitio; outros nada fizeram, olhando desafiadoramente ao seu redor. Então um deles avançou e disse: “trabalhem o quanto quiserem ou não façam nada: não importa. Seus planos secretos vieram à luz, o guardião os espiou ultimamente e vai enunciar um tremendo juízo sobre vocês nos próximos dias. Vocês o conhecem, ele é duro e rancoroso. Mas prestem atenção: até agora vocês se enganaram a meu respeito; eu não sou o que pareço, mas muito mais: sou o filho do guardião e posso tudo com ele. Posso salvá-los, quero salvá-los; mas vejam bem, apenas aqueles entre vocês que acreditam que sou o filho do guardião; os demais colherão os frutos da sua descrença.” “Ora,” falou, após um instante de silêncio, um prisioneiro mais velho, “que diferença lhe faz se acreditamos ou não em você? Se é realmente o filho do guardião e consegue tudo o que diz, interceda por todos nós: seria uma grande bondade sua. Mas deixe de lado a conversa de crer ou não crê!r” “Além disso”, gritou um homem mais jovem, “eu não acredito nele: é somente uma coisa que ele pôs na cabeça. Aposto que em oito dias estaremos neste mesmo lugar, e o guardião não sabe nada.” “E, se sabia, não sabe mais”, disse o ultimo dos prisioneiros, que acabava de entrar no pátio; “o guardião morreu agora, de repente.” – “Olá!”, gritaram vários ao mesmo tempo, “olá! Senhor filho, como fica a herança? Será que somos agora seus prisioneiros?” – “Eu lhes disse”, replicou suavemente aquele que interpelavam, “vou libertar todos os que crêem em mim, tão certo como meu pai ainda vive.” – Os prisioneiros não riram, mas deram com os ombros e o deixaram ali parado.(Nietzsche - O Andarilho e sua Sombra, aforismo 84)
quarta-feira, 31 de março de 2010
O Muro
Quer mudar o mundo?
Pinte sua parede de amarelo manga.
Quer ensinar o tom certo?
Escreva a teoria do amarelo manga na parede.
Quer que todos leiam?
Coloque a parede no meio da rua.
Quer transformar sua teoria em religião?
Fale mal da parede dos outros.
Quer ser considerado messias?
Diga que construiu a parede do nada.
Quer que todos acreditem nisto?
Esconda os tijolos com massa corrida.
Quer criar uma franquia?
Escreva o livro da construção da parede.
Quer ter muitos franqueados?
Diga que é pecado construir paredes diferentes.
Quer que os franqueados obedeçam?
Diga que do outro lado da parede é o inferno.
Quer se sentir poderoso?
Sente-se no topo da parede.
Quer fingir que é humilde?
Olhe para baixo.
Quer saber a verdade?
Olhe pra sua parede."
(Marcelo Ferrari)
segunda-feira, 29 de março de 2010
O Nascimento da Tragédia
O Nascimento da Tragédia,
ou Helenismo e Pessimismo
Esta é a primeira obra do fiilósofo mais polêmico da Pós-Modernidade, e talvez até, por que não, o mais polêmico da história. Filósofo que se autodenominou "o homem que nasceu póstumo", por ter sido incompreendido pelos seus contemporâneos. Obra de um então jovem professor de letras clássicas despertou polêmica pelo seu caráter pessoal e pela ousadia de sua abordagem: desafiava a concepção tradicional dos gregos como povo sereno e simples, e exaltava a ópera de Wagner como renovadora do espírito alemão, numa singular mistura de reconstrução histórica, intuição psicológica e militância estético-cultural. Nesta obra o filósofo oferece não só uma interpretação das tragédias gregas, mas da própria cultura grega e moderna, do nexo entre arte e conhecimento e da época moderna.
O autor começa por afirmar que o contínuo desenvolvimento da arte está diretamente ligado à duplicidade do apolíneo e dionisíaco. O apolíneo é relativo ao deus Apolo, apresentado como o deus do sonho, das formas, das regras, das medidas, dos limites individuais. O apolíneo é a aparência, a individualidade, o jogo das figuras bem delineadas; e o dionisíaco é apresentado como o gênio ou impulso do exagero, da fruição, da embriaguez extática, da libertação dos instintos. É o deus do vinho, da dança, da música e ao qual as representações de tragédias eram dedicadas.
Dados bibliográficos:
NIETZSCHE, Friedrich, O Nascimento da Tragédia ou Helenismo e Pessimismo - 1872. Notas, Tradução e Posfácio, Jacó Guinsburg, 1992.1º reimpressão, Editora Schwarcz - Ltda.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Das virtudes
“São boas as virtudes de um homem não por causa dos resultados que podem ter para eles, mas em função dos resultados que podem ter para nós e a sociedade... Quando se possui uma virtude, uma autêntica e plena virtude, então se torna vítima dessa virtude. E é exatamente por isso que o vizinho a louva.”(...)“O próximo louva o desinteresse porque é dele que tira vantagens! Se o próximo pensasse também de maneira “desinteressada” não haveria de querer essa diminuição de força, esse prejuízo de que tira o seu lucro! Trabalharia contra o nascimento dessas inclinações!” (...).
(Nietzsche, Gaia Ciencia - 21)
O Fanático da Desconfiança e sua Garantia
Pirro: Aqui está: quero pôr os homens de sobreaviso contra mim, quero confessar publicamente todos os defeitos de minha natureza e revelar aos olhos de todos meus envolvimentos, minhas contradições e minhas tolices. Não me escutem, lhes direi, antes que não me tenha tornado semelhante ao menor dentre vocês e até menor que ele; revoltem-se contra a verdade quanto puderem, por causa do desgosto que lhes causa seu defensor. Serei seu sedutor e seu impostor e ainda encontrarão em mim o menor brilho de consideração e dignidade.
O Antigo: Prometes demais, não consegue suportar esse fardo.
Pirro: Vou dizer também aos homens que sou muito fraco e que não posso manter o que prometi. Quanto maior for minha indignidade, tanto mais o vão desconfiar da verdade que sair da minha boca.
O Antigo: Queres, portanto, ensinar a desconfiança da verdade?
Pirro: Uma desconfiança tal que jamais existiu igual no mundo, a desconfiança a respeito de tudo e de todos. É o único caminho que leva à verdade. O olho direito não deve confiar no olho esquerdo e será necessário que, durante algum tempo, a luz se chame escuridão: é o caminho que se deve seguir. Não crês que te levará a árvores frutíferas e à sombra de salgueiros admiráveis? Encontrarás nesse caminho pequenas sementes duras – são as verdades; durante anos, deverás engolir mentiras em quantidade para não morrer de fome, embora saibas que é mentira. Mas essas pequenas sementes serão semeadas e enterradas no solo e talvez a colheita vai ocorrer um dia: ninguém tem o direito de prometê-la, a menos que seja fanático.
O Antigo: Amigo, amigo! Tuas palavras, elas próprias, são palavras de um fanático!
Pirro: Tens razão! Quero ser desconfiado a respeito de todas as palavras.
O Antigo: Então deves ficar calado.
Pirro: Vou dizer aos homens que devo ficar calado e que eles devem desconfiar do meu silêncio.
O Antigo: Renuncias, pois, a teu projeto?
Pirro: Pelo contrário – acabas de me indicar a porta por onde devo entrar.
O Antigo: Não sei realmente se ainda nos compreendemos perfeitamente.
Pirro: Provavelmente não.
O Antigo: Contanto que tu te compreendas bem a ti mesmo!
Pirro se volta rindo.
O Antigo: Ai! meu amigo! Calar-se e rir – será essa agora toda a tua filosofia?
Pirro: Não seria a pior.
(Nietzsche - O Viajante e sua Sombra)
Nota do tradutor:
Segundo uma nota do tradutor R. J. Hollingdale, esta conversa entre "Pirro" e "o velho" é calcada no diálogo Piton, escrito por Timão de Flionte, discípulo do fundador do cetismo filosófico, Pirro de Élis ( c. 365 -260 a.c)
domingo, 14 de março de 2010
Ética e Existência
Durante toda sua existência o homem se deparou com diversas problemáticas, algumas delas insolúveis até os dias atuais. Uma delas é a questão da ética e moral: em que se fundamentar um código de conduta ético e moral?Na maioria das culturas os códigos éticos e morais são determinados por entidades transcedentes, geralmente deuses. Eles determinam o "bem e o mal" e resta ao homem como ser inferior e submisso segui-lo para sua salvação. Em algumas culturas há o chamado - determinismo. Uma força metafísica pre-determina todas as ações do homem.
Atualmente com a morte de Deus e dos deuses, surgiu a grande problemática: em que se fundamentar a moral? Como fazer uso da liberdade?
No mundo ocidental essa problemática surgiu no Renascimento, onde o homem passou a ser livre e responsável por si mesmo. Temos grandes exemplos do pensamento da época, como por exemplo Maquiável em seu "O Princípe". Nesta obra ele defende o egoísmo e individualismo, onde o "Eu" é soberano e que os fins justificam os meios na busca pela ordem. Temos Erasmo de Roterdam com sua obra "Elogio da Loucura" onde mostra com clareza a hipocrisia do homem civilizado e sua loucura disfarçada sob o véu dos bons costumes e na critica do racionalismo exacerbado. Não poderia esquecer do nosso "cavaleiro andante" o famoso Dom Quixote, que se espelha em outros para a construção de si próprio. Por fim temos Thomas More com sua obra "Utopia" em que idealiza a instituição perfeita para a vida em sociedade, baseada nos escritos platônicos de A Rupublica.
Temos aí exemplos, apesar de antigos, demasiado atuais. A crise de "humanidade", de "consciência" e crise de identidade, onde homem não sabe como se construir.
Outros mostraram como é egoísta e anti-democrática a natureza humana, como Hobbes e por fim o niilismo de François Sade, que percebe que não há meios onde se possa fundamentar uma moral universal. Houve Kant com seu "imperativo categórico": a sua maneira de agir deve ser a maneira de como gostaria que se tornasse lei universal. Porém o caráter subjetivo e imperativo a refuta. E por ultimo o "Genealogista" com seu martelo filosófico, Nietzsche, que viaja até os primordios da moral para descobrir sua origem, e percebe que este é um problema insoluvel, pois o homem está "Para além do Bem e do Mal" questionando qualquer metafísica e transcendencia, do qual se denomina amoral.
Com a morte dos deuses e da moral, quem nos guiará ao melhor caminho? Encerro a este encontro com uma bela citação do Nietzsche e quem sabe o que teremos para o próximo encontro?!
"... Mas de quando em quando - se admitirmos que existem benfeitores celestes além do Bem e do Mal - concedei-me, oh deuses, um olhar com que eu possa achar um ser absolutamente completo, feliz, poderoso, triunfante, no que ainda há algo a temer. Um homem que justifique o bem! Conceidei-me que ache uma felicidade que complete e salve o homem pelo qual se possa manter a fé no próprio homem... A má sorte da Europa com o medo ante o homem fez-nos perder também o amor que lhe devotávamos, a veneração que lhe tínhamos e a esperança que lhe consagrávamos. O aspecto do homem fatiga nos."
(Friedrich Nietzsche - A Genealogia da Moral)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Nietzsche e o Nazismo
Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900) foi um influente filósofo alemão do século XIX.Atualmente é um dos filósofos mais lidos e populares. Sua filosofia se baseia principalmente no estudo da moral, na critica das religiões e doutrinas de "negação da vida" e crítica dos humanistas e iluministas, que no abuso da razão, insistiam na transcendencia de valores e crenças metafísicas.Nietzsche juntamente com Freud e Marx foram os filósofos mais controversos da história moderna, que marcaram a divisão do período moderno (até a primeira metade do século XIX) e contemporâneo (a partir da segunda metade do século (XIX).
É comum não simpatizantes e leigos em sua filosofia associarem Nietzsche ao anti-semitismo (nazismo). Como bem disse, opinião apenas de não simpatizantes e de leigos que tendenciosamente fazem tal associação. Deixemos que o próprio filósofo em questão, Nietzsche, se defenda de tais acusações.
"(...) Não, não amamos a humanidade; mas, por outro lado, somos muito pouquíssimos “alemães”, no sentido que a palavra tomou nos nossos dias, para poder falar em favor do nacionalismo e do ódio das raças, para nos regozijarmos com esta lepra do coração, com este envenenamento do sangue, que faz com que os povos da Europa se isolem, criem barricadas, se ponham de quarentena. Somos muito imparciais para isso, maus espíritos e delicados, estamos muitíssimo bem informados e viajamos muito: (...) " (A Gaia Ciência, aforismo 377)
“O que a Europa deve aos judeus? Muitas coisas, boas e más, e antes de mais nada ma
coisa que tem do melhor e pior para dar: o estilo grandioso da moral, o terrível e a majestade de postulados imensos, de infinitos significados, todo o romantismo e o sublime dos problemas morais — e conseqüentemente a parte, mais interessante, embaraçosa e procurada pelo caleidoscópio de seduções da vida, que ilumina com seus últimos clarões a céu, o pôr-do-sol, talvez, de nossa civilização européia. Nós artistas entre os espectadores e os filósofos nos sentimos reconhecidos por isso — aos judeus.”. (Para Além do Bem e do Mal, aforismo 250.)
“(..)se tem, em resumo, qualquer acesso de imbecilidade; assim, por exemplo, os alemães da atualidade cultivaram a demência anti-francesa, outras, a anti-semita, a anti-polaca, a romântico-cristã, a wagneriana, a teutônica, a prussiana (..)Mas os judeus são incontestavelmente a raça mais vigorosa, mais tenaz e mais genuína que vive na Europa, sabem caminhar nas piores condições (e talvez muito melhor que em condições favoráveis) e isto quanto a tais virtudes (..)seria adequado afastar, de todos os países, os agitadores antisemitas. (..) (“Idem, aforismo 251)
"Não faltam abortos de qualquer gênero, nem mesmo os anti-semitas. Pobre Wagner! Até onde chegara! Fosse dar pelo menos em meio de suínos! Mas... Entre alemães!..." (Ecce Homo)
Quanto Elisabeth - a irmã de Nietzsche - ele deixou claro enquanto lúcido seu desprezo pelos anti-semitas, inclusive seu ex-amigo Wagner e sua irmã que se casou com um anti-semita.
"Em uma carta à irmã, no Natal de 1887, Nietzsche é enfático, dizendo que sua irmã cometeu uma grande estupidez (para ambos) associando-se aos anti-semitas do Partido Nacionalista Alemão, que, mais tarde em 1920, viria a tornar-se o Partido Nazista Alemão (Ultranacionalista). Disse ainda que era uma questão de honra para ele ser o mais claro possível quanto à sua posição em relação ao anti-semitismo, a saber, que ele era nomeadamente contra e que considerava isso uma estupidez, e mais, que sentia nojo de tal Partido. Segundo ele, devido à atitude dela, casando-se com um anti-semita, ele vinha sendo confundido frequentemente, recebendo cartas de apoio de anti-semitas. Dizia Nietzsche que os anti-semitas estavam utilizando-se do nome dele para se promoverem." (O Julgamento de Nietzsche - Alexandre Anello)
"Nada quero com «crentes», penso que sou demasiado malicioso para acreditar em mim mesmo; nunca falo às massas... Sinto uma angústia aterradora de que, um dia, me venham a canonizar; adivinhar-se-á porque é que antes publico este livro; ele impedirá que comigo se cometam patifarias... Não quero ser santo algum, prefiro antes ser um arlequim... Sou porventura um arlequim... E apesar disso ou, antes, não apesar disso – pois, até hoje, nada houve de mais mentiroso do que um santo – a verdade fala por meu intermédio. " (Ecco Homo, "Porque sou um destino")
Seja qual for a complexidade de Nietzsche, o leitor advinha facilmente em que categoria (ou seja, em que tipo) ele teria classificado a raça dos “mestres” concebida pelos nazistas. É somente quando o niilismo triunfa que a vontade de potência deixa de querer dizer “criar” e passa a significar: querer a potência, desejar o domínio (e portanto atribuir-se ou fazer-se atribuir os valores estabelecidos, dinheiro, honras, poder…). Ora, essa vontade de potência é precisamente a do escravo, é a maneira pela qual o escravo ou o impotente concebe a potência, a idéia que ele tem dela, e que ele aplica quando triunfa. Um doente pode muito bem dizer: “ah, se eu estivesse bem de saúde, eu faria isto” – e talvez ele o fizesse – mas seus projetos e concepções são ainda os de um doente, nada mais do que os de um doente. É a mesma coisa com o escravo e sua concepção da maestria ou da potência. É a mesma coisa com o homem reativo e sua concepção de ação. Por toda parte, a reversão dos valores e das avaliações, por toda parte as coisas vistas pelo seu lado pequeno, as imagens revertidas como no olho de boi. Uma das maiores frases de Nietzsche é esta: “É preciso sempre defender os fortes contra os fracos.” (Nietzsche, p0r Gilles Deleuze: Paris, PUF, 1965 (13ª edição, 2006), pp. 17-27. )
"É preciso afastar, em relação a pensadores como Nietzsche, o conceito de guerra – propagandístico ou ingênuo -, que o encara como uma espécie de Rosenberg mais fino e procura ver no seu pensamento o precursor do nazismo. Este antipangermanista convicto deve ser considerado o que realmente é: um dos maiores inspiradores do mundo moderno, cuja lição longe de exaurida, pode servir de guia a muitos problemas do humanismo contemporâneo. (...) devemos reter e ponderar a sua técnica de pensamento, como propedêutica à superação das condições individuais. “O homem é um ente que deve ser ultrapassado” – disse ele... (...) (Mello e Souza, Antônio Cândido. Nietzsche – Coleção “Os pensadores”. Editora Abril. Prefácio.)"

